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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

No País, 51% desconhecem a hepatite C

A maior parte da população brasileira não tem ideia do que é a hepatite C. A doença, que atinge de 1,5 a 2 milhões de pessoas no País, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), é desconhecida por 51% da população de acordo com uma pesquisa divulgada ontem pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).

O levantamento – realizado em junho pelo Instituto Datafolha e apresentado durante a abertura do 21.º Congresso de Hepatologia – foi baseado em entrevistas com 1.137 pessoas de 11 cidades brasileiras. Entre os entrevistados, somente 8% citaram as hepatites virais quando solicitados a nomear doenças graves que conheciam.

Menos lembradas do que enfermidades como câncer, AIDS, diabete e tuberculose, as hepatites são responsáveis por metade das indicações para transplante de fígado no País (40% ocasionadas pela hepatite C e 10%, pela hepatite B). O tipo C é considerado o mais preocupante, pois 80% dos casos evoluem para a fase crônica. No caso da hepatite B, menos de 10% dos casos passam a ser crônicos e, na hepatite A, quase a totalidade é curada espontaneamente.

De 2009 para 2010, houve um aumento de 4,7% das mortes por hepatites no País. Em 2010, as três hepatites provocaram 2.518 mortes de acordo com o Boletim Epidemiológico das Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Em 2009, foram 2.406 óbitos. No mundo, 1 milhão de pessoas morrem a cada ano em decorrência das hepatites.

Apesar de atingir até 2 milhões de brasileiros, uma parcela muito pequena da hepatite C é diagnosticada, de acordo com o médico Raymundo Paraná, presidente da SBH. “Nossa assistência básica não está preparada para diagnóstico precoce das hepatites virais. O diagnóstico tem que ser por rastreamento e não por sintoma.”

Segundo Paraná, a hepatite só apresenta sintomas nas fases mais avançadas. Daí a importância de os grupos que se expuseram a situações de risco (transfusão de sangue antes de 1993, relações sexuais desprotegidas ou exposição a seringas, alicates ou agulhas compartilhadas) submeterem-se aos testes para verificar a presença dos vírus.

Na fase crônica, tanto a hepatite B quanto a C têm opções de tratamento que, na maioria dos casos, impedem a progressão da doença para a cirrose ou para o câncer de fígado. Para o especialista, as hepatites virais são doenças negligenciadas no Brasil: somente em 2002 foram criadas as diretrizes terapêuticas para a doença.

Além disso, acrescenta Paraná, as informações são escassas, como demonstra o levantamento da SBH. “Há quanto tempo temos informações e campanhas na televisão, nos jornais e no rádio sobre HIV? Esforço semelhante não é feito em relação às hepatites e muitos brasileiros teriam a vida salva caso fizessem um simples teste”, diz o presidente da entidade.

Os três tipos de hepatite:

Hepatite A – É transmitida por meio de contato pessoal ou água e alimentos contaminados. Não há tratamento, os sintomas tendem a sumir naturalmente após semanas ou meses e existe vacina para combatê-la

Hepatite B – Transmissão ocorre por intermédio de relações sexuais; de mãe para filho; por meio de contato com cortes ou ferimentos de pessoas contaminadas; transfusões de sangue feitas antes de 1993; compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear e escovas de dente. Nem todos os casos precisam de tratamento, mas a evolução deve ser acompanhada. Não tem cura, mas existe vacina capaz de amenizar o vírus

Hepatite C - É o tipo mais comum da doença e sua transmissão se dá com compartilhamento de objetos cortantes, escovas de dente, transfusões de sangue e contato com cortes e ferimentos de pessoas infectadas. Transmissão por via sexual ocorre, mas raramente. Tratamento é feito à base de medicamentos. Doença tem cura, mesmo quando apresenta fases mais crônicas

Fonte: Jornal da Tarde

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Campanha de Incentivo ao Diagnóstico Precoce para HIV e Hepatites Virais

 CONVITE:

A Pastoral da AIDS, da arquidiocese de Santa Maria está organizando a CAPACITAÇÃO para a Campanha de Incentivo ao Diagnóstico Precoce para HIV e Hepatites Virais, todos que desejam se capacitar para trabalhar esta campanha e/ou atuarem em seu campo profissional ou social como multiplicadores de informação são convidados!
A capacitação será dia 08 de outubro, no Salão da Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Santa Maria. A assessoria deste dia será com o Frei Luiz Carlos Lunardi, assessor nacional da Pastoral da AIDS.
Convidamos você para participar deste importante momento de formação!
Reforçamos a importância das comunidades cristãs começarem a se preocupar com a AIDS e as Hepatites Virais, pois sabemos hoje dos altos índices de registros de pessoas com pelo menos um desses vírus.
Nossa tarefa enquanto cristãos é trabalhar com a informação e prevenção às pessoas, tendo como inspiração a imagem do Bom Pastor: "Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas" (Jo 10,11).
A preocupação do Pastor é o cuidado de cada uma das ovelhas, olhando para elas segundo aquilo que precisam: se estão bem, cuida delas para que continuem bem e até melhorem; se estão doentes, cuida delas para que se curem; se estão perdidas, vai procurá-las para integrá-las no rebanho; vela para que não lhes falte a água e o alimento que as pode saciar.
Campanha de Incentivo ao Diagnóstico Precoce para HIV e Hepatites Virais
Dia: 08 de outubro, sábado, das 8h às 17h
Onde: Salão da Igreja Nossa Senhora do Rosário - Santa Maria
Rua do Rosário, 401 - Centro
Quanto: cada um paga seu deslocamento, haverá almoço no local custeado pela arquidiocese.
Favor confirmar sua presença até dia 06 de outubro para prevermos materiais e alimentação.

Agradecemos sua atenção e disponibilidade,
Atenciosamente.
Equipe de Coordenação da Pastoral da AIDS.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O perigo das drogas permitidas


Além de prejudiciais à saúde, drogas legalmente aceitas podem interferir na ação dos anti-retrovirais




O consumo de drogas socialmente aceitas, como cigarro, álcool, remédios para dormir e para depressão, traz mais prejuízos à saúde do que o uso de substâncias consideradas "proibidas", como maconha e cocaína. A conclusão do relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) demonstra a importância de tentar mudar hábitos aparentemente corriqueiros que podem ser perigosos, principalmente no caso de pessoas soropositivas e em terapia anti-retroviral. Razões para trocar as drogas por uma vida mais saudável não faltam. Fumar aumenta a probabilidade de acidente cardiovascular e infarto entre os portadores do HIV, sobretudo daqueles que tomam antiretrovirais, pois estes medicamentos tendem a elevar os níveis de gordura no sangue. Além disso, o cigarro é responsável por 90% dos casos de câncer no pulmão e fator agravante em outros tipos da doença. Uma pesquisa realizada na Creighton University School of Medicine, nos Estados Unidos, chama a atenção para a interação entre fumo e álcool. Segundo o estudo, a combinação aumenta as chances de contrair pneumonia, doençaque tem ocasionado a morte de muitos portadores do HIV.

Excesso de álcool deve ser evitado
As interações entre anti-retrovirais e as chamadas "drogas recreativas" preocupam Márcia Rachid, médica da assessoria de DST/Aids da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Em artigo publicado na revista "Prática Hospitalar" - em parceria com o médico Mauro Schechter -, a infectologista alerta que muitas drogas podem modificar o metabolismo dos anti-retrovirais no fígado. "O uso crônico do álcool pode reduzir as concentrações séricas de inibidores da protease e de não-análogos de nucleosídeos, possibilitando o desenvolvimento de resistência do HIV aos medicamentos", informa a médica, lembrando que o alcoolismo está relacionado a um maior risco de dano ao fígado, o que pode acelerar a hepatoxicidade dos anti-retrovirais. As pessoas que usam didanosina e abusam das bebidas alcoólicas ainda correm o risco de apresentar pancreatite (inflamação no pâncreas). O álcool também interfere na função do abacavir.
De acordo o infectologista Estevão Portela, as chances de um paciente que faz uso freqüente de álcool esquecer de tomar seus medicamentos e comprometer a eficácia do tratamento contra a aids é grande. Entretanto,o uso ocasional do álcool não causa maiores problemas. Para aqueles que, por querer beber no fim de semana, por exemplo, julgam melhor não tomar seus medicamentos, Portela aconselha: "É errado o raciocínio: já que bebi, é melhor não tomar o remédio. O importante é não exagerar, não perder o controle da situação", diz o médico. "O medicamento deve ser tomado e o uso do álcool precisa ser controlado", completa.

Cuidados com o uso de sedativos e antidepressivos
Medicamentos para dormir ou contra a depressão podem interagir com os antiretrovirais, aumentando os efeitos tóxicos ou mesmo alterando o metabolismo no fígado. Dependendo da dose utilizada, eles podem até ser fatais quando associados aos inibidores da protease, especialmente o ritonavir. Lembre-se: sedativos e antidepressivos só devem ser usados com orientação médica. SV O alcoolismo está relacionado a um maior risco de dano ao fígado, o que pode acelerar a hepatoxicidade dos anti-retrovirais.

Fonte: Revista Saber Viver, ed. nº 34